Amor de pipa

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Ela se empina, altiva, e depois paira no céu de brigadeiro. A rabiola se movimenta conforme o vento sopra, dançando. A linha fina, quase imperceptível, passa por pequenas mãos e fica enrolada em uma lata de leite em pó. Por aqui, as nuvens abriram espaço para as crianças aproveitarem as férias escolares e soltarem pipa. Os pontos coloridos no alto criam um ar singelo. Em mim, deixam o gostinho da lembrança.

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Um dia a menos no calendário

Parecia uma tarde comum, mas, na verdade, era o quinto dia útil do mês. A fila chegava até o lado de fora do banco e as pessoas se aglutinavam ali, esperando sua vez de consultar o saldo no caixa eletrônico. Uma senhora comentou com a amiga: “Ah, agora que me aposentei, vou viajar!”. Aquilo soou como um alerta para mim, pois me dei conta de que a rotina está cada vez mais agitada, o bastante para eu abrir mão do que ainda desejo fazer.

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O dia em que as redes sociais se transformaram em um arco-íris

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Hoje o dia estava nublado. Era um cinza carregado, que deixava os cômodos da casa e do trabalho escuros. Já o vento, estava cortante. Todos andavam pelas ruas encolhidos, com as mãos escondidas. O que seria uma sexta-feira normal – sem graça, até – se transformou em um dia de múltiplas cores e amores. No dia 26 de junho, as redes sociais se transformaram em arco-íris.

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Violência doméstica: precisamos meter a colher

– Meu pai bateu na minha mãe!

– Por quê?

– Porque ela fez coisa errada.

Doeu ouvir uma criança, de aproximadamente 5 anos, dizer isso a um coleguinha da mesma idade. Doeu saber que ela, ainda tão inocente, poderá crescer em um lar onde sua mãe sofre violência doméstica e seu pai ensina que está tudo bem em ser agressivo com alguém que comete um erro. Essa mulher, que não conheço, tem nome e rosto. E ela entrou para uma triste estatística: a cada cinco minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil.

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O politicamente correto incomoda muita gente

Esses dias, alguém disse que eu precisava ter uma visão mais crítica sobre o mundo. Isso porque fui contra às suas ideias de que homossexuais e lésbicas querem mais direitos e que brancos sofrem racismo. Já em outra conversa, que envolvia estupro na ficção, uma pessoa avisou: “sem feminismo”. Uma vez também me questionaram o porquê de eu, uma moça “branca e bonita”, ser a favor de cotas sociais e raciais. Esses são apenas alguns dos inúmeros comentários que já ouvi, que simplesmente deslegitimam e silenciam a luta por direitos humanos.

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Um beijo para a família tradicional

Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) / Foto: reprodução
Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro)

“Meu filho tem 3 anos! Como se explica isso a uma criança?”, disse a atendente de uma loja de roupas. Suspirei e me afastei da arara, afinal, eram 9 da manhã e eu não queria começar o dia ouvindo comentários lesbofóbicos sobre o beijo de Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg), em Babilônia, a nova novela da Rede Globo. Classificação indicativa a parte, a melhor resposta para a família tradicional brasileira é: amor e atração sexual entre pessoas não exigem explicações.

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Aborto: uma questão de direito, não de opinião

Marcha das Vadias BH, em 2014
Marcha das Vadias de Belo Horizonte, 2014

Aborto. Para uns, a palavra – e a prática – provoca arrepios e soa como um sinônimo de “atentado à vida”. Já para milhares de mulheres, o procedimento é mais que uma escolha – que deve, sim, ser levada a sério. Existem inúmeros motivos para que uma gravidez não seja levada adiante, seja pelo estado emocional da gestante, pela falta de desejo de ser mãe ou até mesmo por uma situação financeira precária. O fato é que o debate deve ir além e abranger, principalmente, a autonomia, a saúde e o direito reprodutivo da mulher. E digo mais: o aborto nunca vai deixar de existir. A única diferença é que, enquanto ele for criminalizado, mulheres vão continuar se submetendo a procedimentos inseguros – e morrendo.

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