Oscar para quem?

Viola Davis foi a primeira mulher negra a ganhar o prêmio de melhor atriz em série dramática em 67 edições do Emmy. Em seu discurso, disse: “A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”

A representatividade importa. Em um mundo em que a maioria das produções culturais são feitas por um olhar branco, machista e heteronormativo, ficamos com a sensação de que nossas histórias não são contadas quando nos viramos para as grandes telas do cinema ou dos televisores. Quem somos nós? As chamadas minorias: mulheres, negros, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais. Apesar dos poucos avanços e da necessidade de se incluir grupos marginalizados, é perceptível a falta de interesse, incentivo e oportunidades, além da contínua naturalização do preconceito nos produtos audiovisuais.

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A conversa chegou à cozinha

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“Lugar de mulher é na revolução”

– Cala a boca porque a conversa não chegou à cozinha! – me disse o homem branco e hétero, desfrutando de seus privilégios sociais e saboreando sua cerveja gelada.

É que vocês sabem, né? Lugar de mulher é pilotando o fogão, lavando as roupas no tanque e cuidando da casa e dos filhos. Mulher não pode rebater comentários sexistas, homofóbicos e racistas. Não pode levantar a voz para problematizar ou dizer o que pensa. Não pode enfrentar macho que se acha fodão. Não pode beber e se divertir. Não pode usar a roupa que gosta. Não pode expressar sua sexualidade. Não pode ser bem sucedida nem independente. Não pode ser lésbica ou bissexual. Não pode quebrar paradigmas e fugir do que a sociedade patriarcal impõe. Simplesmente não pode.

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Nude: autonomia das ‘minas’ em um clique

Não importa se a câmera é de 2 ou 14 megapixels, o que vale é o clique e a imagem que fica congelada. Fotos que acentuam curvas, formas, tamanhos e cores diferentes. Corpos singulares que, muitas vezes, estão presos às amarras dos estereótipos tão nocivos que a sociedade nos impõe. Mais do que um jogo sexual, as fotos nuas ou, para quem preferir, os nudes, podem ser positivas para mulheres que não se sentem confortáveis consigo mesmas ou com o poder de sua sexualidade.

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O dia em que as redes sociais se transformaram em um arco-íris

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Hoje o dia estava nublado. Era um cinza carregado, que deixava os cômodos da casa e do trabalho escuros. Já o vento, estava cortante. Todos andavam pelas ruas encolhidos, com as mãos escondidas. O que seria uma sexta-feira normal – sem graça, até – se transformou em um dia de múltiplas cores e amores. No dia 26 de junho, as redes sociais se transformaram em arco-íris.

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Violência doméstica: precisamos meter a colher

– Meu pai bateu na minha mãe!

– Por quê?

– Porque ela fez coisa errada.

Doeu ouvir uma criança, de aproximadamente 5 anos, dizer isso a um coleguinha da mesma idade. Doeu saber que ela, ainda tão inocente, poderá crescer em um lar onde sua mãe sofre violência doméstica e seu pai ensina que está tudo bem em ser agressivo com alguém que comete um erro. Essa mulher, que não conheço, tem nome e rosto. E ela entrou para uma triste estatística: a cada cinco minutos uma mulher é vítima de agressão no Brasil.

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O politicamente correto incomoda muita gente

Esses dias, alguém disse que eu precisava ter uma visão mais crítica sobre o mundo. Isso porque fui contra às suas ideias de que homossexuais e lésbicas querem mais direitos e que brancos sofrem racismo. Já em outra conversa, que envolvia estupro na ficção, uma pessoa avisou: “sem feminismo”. Uma vez também me questionaram o porquê de eu, uma moça “branca e bonita”, ser a favor de cotas sociais e raciais. Esses são apenas alguns dos inúmeros comentários que já ouvi, que simplesmente deslegitimam e silenciam a luta por direitos humanos.

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Um beijo para a família tradicional

Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) / Foto: reprodução
Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro)

“Meu filho tem 3 anos! Como se explica isso a uma criança?”, disse a atendente de uma loja de roupas. Suspirei e me afastei da arara, afinal, eram 9 da manhã e eu não queria começar o dia ouvindo comentários lesbofóbicos sobre o beijo de Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg), em Babilônia, a nova novela da Rede Globo. Classificação indicativa a parte, a melhor resposta para a família tradicional brasileira é: amor e atração sexual entre pessoas não exigem explicações.

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