O grito silencioso

Flores

Nunca sabe o que dizer. Sempre que olha para uma página em branco, se pergunta o que poderia fazer com ela. Desenhar? Não tem essa habilidade. Escrever? Perdeu esse hábito há tanto tempo que todas as palavras que tem a intenção de colocar ali não parecem boas o suficiente. O não-dito paira como uma nuvem sobre sua cabeça até que se dissipa. Ou fica ainda mais condensado?

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Lençóis bagunçados

Encontrei um rascunho. Nele, estava escrito algo sobre lençóis brancos e pesados, bagunçados em uma cama espaçosa. Só pode ser sobre você. Me lembrei de quando eu abria os meus olhos e você estava ao meu lado, com a boca entreaberta e mergulhada em um sono tão profundo, que eu ficava horas esperando você despertar assustada. É… você sempre acordava um tanto quanto confusa, tentando reconhecer o ambiente no qual estava. Em seguida, sorria quando me percebia ali e me dava um beijo quente e sonolento.

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Sobre sentir-se inerte

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Este blog está parado desde fevereiro. Vira e mexe volto aqui e começo a escrever algumas linhas, mas desisto logo no início. Aliás, este espaço se chama Só um Rascunho por algum motivo, não é? Assunto não falta; o que sobra é procrastinação. É isso mesmo, mas juro que não é minha rotina ou aquela leve preguiça que toma conta de todos nós. Eu apenas tenho dificuldade de levar minhas ideias e vontades adiante.

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Amor de pipa

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Ela se empina, altiva, e depois paira no céu de brigadeiro. A rabiola se movimenta conforme o vento sopra, dançando. A linha fina, quase imperceptível, passa por pequenas mãos e fica enrolada em uma lata de leite em pó. Por aqui, as nuvens abriram espaço para as crianças aproveitarem as férias escolares e soltarem pipa. Os pontos coloridos no alto criam um ar singelo. Em mim, deixam o gostinho da lembrança.

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Um dia a menos no calendário

Parecia uma tarde comum, mas, na verdade, era o quinto dia útil do mês. A fila chegava até o lado de fora do banco e as pessoas se aglutinavam ali, esperando sua vez de consultar o saldo no caixa eletrônico. Uma senhora comentou com a amiga: “Ah, agora que me aposentei, vou viajar!”. Aquilo soou como um alerta para mim, pois me dei conta de que a rotina está cada vez mais agitada, o bastante para eu abrir mão do que ainda desejo fazer.

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Cafezinho é bom demais da conta

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Não sei se pelo Brasil afora é assim, mas aqui em Minas Gerais o cafezinho tem um significado particular. Por essas bandas, a bebida preta e quente, muitas vezes, não serve somente para nos livrar da sonolência, mas também para bater um papinho inocente. O ritual começa desde a hora em que a água fervida é despejada no coador e sai do outro lado, emanando aquele cheirinho tão gostoso e produzindo a fumaça que ondula até se dispersar. Pronto. Está na mesa. De preferência, junto com uma cesta de pão de queijo e pedaços de bolo. Hummm.

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