Se quilômetros fossem centímetros

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Gostaria de encurtar a distância entre nossos corpos, fazer com que esse arrepio deixe de ser quilômetro e se torne centímetro. Passos ligeiros poderiam me levar a você, que ainda está longe, mas, ao mesmo tempo, perto. É difícil explicar. Dias atrás me peguei pensando que as quatro paredes do meu quarto me devoram enquanto fico imersa na virtualidade de outra vida (possível). É um presente que pode se materializar no futuro. Ou, no pior cenário possível, se tornar um passado nunca vivenciado.

É intrigante como a química não precisa ser, necessariamente, experienciada por meio do contato físico entre nós. Na verdade, ela pode estar na ponta dos dedos que, não só conduzem minhas palavras até a sua caixa de entrada, mas também me tocam como se estivessem tocando você. Doce imaginação. Curioso pensar que vinte e um dias – talvez menos, talvez mais – foram suficientes para eu voltar a escrever. Se eu escrevo é porque sua existência já deixou um traço em mim. Ou uma cicatriz?

Meus devaneios continuamente me levam a você emaranhada em lençóis brancos e pesados. E eu a observo, no intuito de gravar cada pedaço seu e guardar essa lembrança em uma gaveta que eu possa acessar cada vez que sentir a sua ausência. São apenas pensamentos, mas me conheço… sei que faria isso, piegas que sou. Não quero assustar você com esse excesso de sensibilidade. Apesar de demonstrar o contrário, não sou tão sentimentalista assim. Acredito que minhas palavras é que tenham sido afetadas pela velocidade com que você cruzou o meu caminho.

Certa vez me disseram para não colocar sentimento onde não me cabe. Que sou grande demais para me apertar em cubículos. Pensando bem, sempre me contentei com pouco. Ou sempre pensei que o pouco era muito para mim. Ou que o pouco já era suficiente. São muitas possibilidades. A verdade é que eu não sei a dimensão do lugar que preciso para me sentir confortável. Não tenho as medidas em metro quadrado da área que, para me abrigar, deve ser espaçosa – nunca estreita! Eu sou péssima em geometria. Será que sou tão grande assim? Sempre me senti mediana.

Bom, eu não sei se você quer que eu ocupe algum espaço em sua vida. Também não sei qual espaço eu gostaria de ocupar. Aliás, tenho me perguntado para qual lado deve atravessar: para o que me aproxima ou o que me afasta de você. Estou perdida e não há GPS nem horóscopo que possam me guiar. Por enquanto, permaneço no limbo – e na defensiva.

Você já deve ter percebido que sou uma mulher de vontades controversas. Um dia eu vou acordar e sentir que devo continuar me embrenhando nesse turbilhão de sensações. No outro, assim que eu abrir os olhos, vou me amaldiçoar por apostar todas as minhas fichas na incerteza. Acho que vou deixar a cargo do destino, então. Será que ele existe?

Frequentemente mergulho nas hipóteses e nas indeterminações que vêm acompanhadas do se. Não quero que você seja o meu e se. Ah, eu só queria que não fôssemos quilômetros, fôssemos centímetros.

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