Sobre sentir-se inerte

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Este blog está parado desde fevereiro. Vira e mexe volto aqui e começo a escrever algumas linhas, mas desisto logo no início. Aliás, este espaço se chama Só um Rascunho por algum motivo, não é? Assunto não falta; o que sobra é procrastinação. É isso mesmo, mas juro que não é minha rotina ou aquela leve preguiça que toma conta de todos nós. Eu apenas tenho dificuldade de levar minhas ideias e vontades adiante.

De lá para cá, se passaram nove meses. Já tentei de tudo: criei listas de afazeres, li textos que indicavam métodos para parar de adiar tarefas, tentei me alimentar e dormir melhor, cogitei praticar atividade física e desliguei o celular algumas vezes. Também quis abraçar o mundo e me envolvi em diversas atividades para manter a mente sempre ocupada. Falhei em todas as tentativas.

É ruim não ter motivação suficiente para trabalhar, estudar ou dar continuidade a hobbies. É difícil me preocupar com o futuro, mas, ao mesmo tempo, não me importar com o que pode acontecer. É complicado tentar manter o foco, mas acabar me distraindo com as redes sociais ou me enfurecendo com a situação política do país. É contraditório eu me sentir tão bem e, de repente, ser dominada pela tristeza e frustração. Se em um momento tenho um turbilhão de pensamentos, em outro, sou vencida pelo cansaço mental. São as dualidades da inércia.

Descobri que a ansiedade, no final das contas, me deixa em um misto de euforia e letargia. Finalmente estou conhecendo a origem não só dessa minha mania de evitar o que eu deveria fazer, mas também de toda essa inquietação que acaba com todo o meu sossego e me deixa em pânico, sem ar. É preciso autoconhecimento, além de apoio e compreensão daqueles que estão ao redor.

Não sei o que pretendo ao escrever este texto. Talvez, mais que atualizar o Só um Rascunho e sair da inércia, gostaria de trocar experiências com vocês, leitores. Conversar sobre a ansiedade e sobre como lidamos com ela pode ser mais positivo do que nos isolarmos, sentindo que tudo em volta está prestes a desmoronar, ou simplesmente passar meses em silêncio. Acho que é o momento de respirar fundo e fazer com que essas e outras linhas cheguem até o final.

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2 comentários sobre “Sobre sentir-se inerte

  1. Olha, deu vontade de te abraçar.
    Sofro com a ansiedade há tantos anos, e sei que ás vezes parece que tá todo mundo conseguindo realizar coisas, e só a gente fica nos mil desejos e planos que na maioria das vezes não passa disso.
    Aí vem a culpa, o medo de se atrasar sabe-se lá pra que e decepcionar a gente nem sabe quem. Eu aprendi que ter pessoas me incentivando e me dando outros olhares me faz sair dessa letargia movimentada. Então se precisar, pode mandar uma mensagem, um e-mail, sinal de fumaça, qualquer coisa. É bom conversar com quem entende o que se passa lá dentro! A gente pode até se ajudar mutuamente com essa coisa de tentar tirar os rascunhos da gaveta.

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