O politicamente correto incomoda muita gente

Esses dias, alguém disse que eu precisava ter uma visão mais crítica sobre o mundo. Isso porque fui contra às suas ideias de que homossexuais e lésbicas querem mais direitos e que brancos sofrem racismo. Já em outra conversa, que envolvia estupro na ficção, uma pessoa avisou: “sem feminismo”. Uma vez também me questionaram o porquê de eu, uma moça “branca e bonita”, ser a favor de cotas sociais e raciais. Esses são apenas alguns dos inúmeros comentários que já ouvi, que simplesmente deslegitimam e silenciam a luta por direitos humanos.

Você já experimentou questionar os discursos de uma pessoa ou um grupo? Não é nada fácil. Se a intolerância incomoda, o politicamente correto incomoda muito mais. Taxados de chatos e extremistas, nós, considerados adeptos dessa política, lidamos, diariamente, com o desafio de viver em uma sociedade que manifesta seu preconceito e ódio – seja a gênero, raça ou orientação sexual – a cada esquina. Ah, e pelo que parece, também não aproveitamos a vida e lutamos por causas que nunca terão um desfecho concreto.

Acontece que o debate não é sobre opiniões e visão de mundo diferentes, mas sim sobre desconstruir pré-conceitos que a própria sociedade nos impôs e ultrapassar as barreiras do senso comum. Então, criticar, apontar e problematizar discursos é muito mais que divergir, é querer mudanças efetivas e fazer o outro (re)pensar. Quem se sente incomodado com o chamado politicamente correto, querendo ou não naturaliza opressões.

Se tem algo que aprendi ao longo desses anos é que a luta por uma sociedade humanizada não é utopia. Não precisa ser. Uma vez que você compreende a vivência do outro, percebe o quanto o mundo em que vivemos pode ser cruel para uma parcela da população. E, ó, não é complicado entender, basta ter vontade de dialogar. O que falta mesmo é empatia em uma era em que todos falam o que quer, mas não sabem ouvir.

Os argumentos contrários quando o assunto é a proteção e o avanço de direitos das minorias nós já conhecemos muito bem: eles estão implícitos nos meios de comunicação, na violência moral, física e psicológica contra determinados grupos, nos comentários cheios de ódio na internet, nas “piadas” dos talk shows e até mesmo nos panelaços. Por isso, nós vamos continuar apontando os problemas – e as ofensas -, sim! Nossas vozes são como as suas panelas. A diferença é que elas podem ecoar muito mais alto. Assim espero.

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