Um beijo para a família tradicional

Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro) / Foto: reprodução
Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro)

“Meu filho tem 3 anos! Como se explica isso a uma criança?”, disse a atendente de uma loja de roupas. Suspirei e me afastei da arara, afinal, eram 9 da manhã e eu não queria começar o dia ouvindo comentários lesbofóbicos sobre o beijo de Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg), em Babilônia, a nova novela da Rede Globo. Classificação indicativa a parte, a melhor resposta para a família tradicional brasileira é: amor e atração sexual entre pessoas não exigem explicações.

Por gerações, as novelas reúnem espectadores ávidos por mais um capítulo de tramas que sempre exibem planos mirabolantes e reforçam e criam estereótipos. As histórias também retratam os relacionamentos amorosos de inúmeros casais – com direito a muitas cenas de beijo e sexo. Bastou duas senhoras demonstrarem afeto no primeiro capítulo de Babilônia para lembrarmos que se as novelas estão aí para retratar a realidade da sociedade, com aquela boa dose de ficção, nada mais natural que exibir todas as formas de amor.

Se por um lado muitos comemoraram a exibição de mais um beijo entre pessoas do mesmo sexo em horário nobre, por outro, houve aqueles que criticaram e consideraram a cena uma afronta aos valores tradicionais (e retrógrados). Além dos burburinhos pelas ruas, comentários em portais de notícia e nas redes sociais demonstram que as relações homoafetivas ainda provocam uma sensação de mal-estar na família à la comercial de margarina. E esses discursos podem ser combatidos.

As produções audiovisuais têm o poder de fomentar discussões e oferecer cada vez mais representatividade. Há poucos dias, a roteirista e produtora Shonda Rhimes (conheça alguns de seus trabalhos aqui) foi homenageada no baile da Campanha de Direitos Humanos pela inclusão da comunidade LGBT em programas de TV. Sabem o que ela disse?

“Eu odeio demais a palavra “diversidade”. Sugere… alguma coisa além. Como se fosse algo especial. Ou raro. Diverso! Como se tivesse algo incomum sobre contar histórias de mulheres, pessoas de cor e personagens LGBT na televisão. Eu tenho uma palavra diferente: normalizar. Estou normalizando a TV. Estou fazendo a televisão parecer mais com o mundo real. Mulheres, pessoas de cor e LGBT somam mais que 50% da população. Isso significa que eles não são qualquer coisa”.

Resumindo: vai ter beijo lésbico e gay, sim! Essa é a normalização da nossa TV, que ainda precisa de muitas iniciativas para abraçar tantas outras “minorias” que existem por esse mundo afora e alavancar a luta por direitos. Aos poucos, as cenas de beijo (e porque não de sexo) envolvendo casais homossexuais vão se tornar tão naturais a ponto de ninguém fazer, delas, um pedido por explicação.

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