Curso Abril de Jornalismo 2015: quase fui

Quando decidi me inscrever no Curso Abril de Jornalismo 2015, estava em uma fase de querer me arriscar, independente dos resultados. A primeira etapa consistia em escrever um texto, respondendo “Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão”. Escrevi os 4.000 caracteres às pressas, duas horas antes de terminar o prazo das inscrições, despretensiosamente. E aí, bom, meu texto (leia abaixo), que, na minha concepção estava piegas demais, ficou entre os 442 escolhidos pela editora Abril, sendo que mais de 3 mil foram enviados para análise. Muitos concorrentes, né? Depois, veio a tão esperada segunda fase: a entrevista. Em meio ao nervosismo, conversei com o jornalista Edward Pimenta sobre Bukowski, feminismo e até política. Não deu. Mas, ó, saí de lá com aquela sensação de que, sim, eu deveria sempre me arriscar, vai quê.

“Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão”

Meu nome é Caroline. Não, não é Carolina! É com E no final. Tenho 22 anos, mas tem dias que me levanto e penso ainda ter 18, talvez porque o tempo tem corrido tão depressa que mal o sinto. Sou jornalista e, nas horas (nem tão) vagas, me rendo aos filmes e seriados. Também sou apaixonada por música e nunca deixo meus fones de ouvido para trás, assim como nunca saio sem carregar um livro na bolsa; a leitura é minha melhor companhia. Sou quieta e pensativa. Sou capaz de travar debates mentais comigo mesma às 6 da manhã enquanto tomo meu café com leite bem quente e, às vezes, até falo sozinha.

Já fui muito tímida. Hoje, tenho mania de me embrenhar em qualquer roda de bate-papo quando escuto algum tema que me interessa. Posso discorrer horas a fio sobre a escrita de Charles Bukowski, passando pelas poesias musicais de Jim Morrison até chegar ao feminismo e à política. No fundo, tenho aquela vontadezinha que todos têm de mudar o mundo. Você pode me perguntar: mas transformá-lo em quê? A resposta, eu ainda não tenho. Enquanto isso, posso sair por aí com um bloco, uma caneta e uma câmera fotográfica em mãos e ouvir cada pessoa que queira se expressar e, assim, apresentar novas ideias e opiniões nas páginas da revista impressa.

Na infância, meu sonho era ser dentista, mas esse desejo foi por água abaixo assim que passei a sentir pânico – e arrepio – daqueles aparelhos barulhentos e dolorosos. Também pensei em ser advogada, mas percebi que a Constituição de 1988 não era algo que eu gostaria de estudar mais a fundo. Comecei a pensar com meus botões e logo percebi qual rumo eu queria tomar. Dessa vez, não desviei o caminho.

Tudo começou com a coleção da Série Vagalume que preenchia uma prateleira da estante da sala de estar. Com 10 anos, eu deslizava o indicador pela pequena fileira de livros amarelados e escolhia o que me parecia um bom mistério (particularmente, amava os do Marcos Rey). Meu pai teve a ideia de me incentivar a escrever resumos assim que terminasse as leituras e, a partir daí, meu mundo passou a girar em torno das palavras.

Palavras carregam sentidos, ideologias e cultura. Juntas, então, se transformam em teias, nas quais cada fio representa apenas uma parte de uma história. Sempre gostei de dispor as palavras em uma folha de papel – ou, para ser mais moderna, em uma página do Word – e de desvendá-las nos textos que lia. Ainda jovem, concluí que, talvez, minha vocação fosse criar protagonistas.

Para mim, o Jornalismo é essa profissão que só os que realmente são apaixonados pela ideia de possuir uma responsabilidade social escolhem. Abordar a diversidade e a pluralidade de temas é como estimular as engrenagens da contemporaneidade. Ao caminhar pelas ruas, nos deparamos com olhares (des)conhecidos e não imaginamos que por trás de órbitas cansadas ou agitadas possa existir histórias de diversas cores, sons e humores. O Jornalismo é isso: colocar o “invisível” em primeiro plano.

Durante meus anos como estudante e profissional recém-formada, meus protagonistas tinham realidades completamente diferentes e instigantes. Nessas andanças, conheci idosos que contavam “causos” antigos; pessoas simples e acolhedoras, que não se davam conta da importância histórica da comunidade quilombola onde viviam; famílias que ainda enfrentam preconceitos simplesmente por serem plurais; um coveiro que via a morte como algo tão natural quanto sua profissão; comunidades que sofriam com as más condições de seus bairros e, por isso, precisaram melhorá-los com as próprias mãos… gente de todos os cantos e contos.

A liberdade de atuação, assim como a imprevisibilidade da profissão, me instiga. Em um minuto, posso estar redigindo uma reportagem sobre as novidades tecnológicas do iOS 8. No outro, posso estar gastando a sola do meu calçado para encontrar a alma encantadora das ruas, como diria João do Rio. Eu só sei que: não dispenso meu café com leite bem quente antes de iniciar mais um dia agitado. Mas, dessa vez, eu não quero falar nem pensar sozinha.

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